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logotipo do visibilidade.net: Visibilidade.net, estar presente na web não basta Fazer páginas acessíveis é caro?
 

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Início > Artigos > Como testar se uma página é acessível a pessoas com deficiência?

Como testar se uma página é acessível a pessoas com deficiência?

Existem ferramentas de análise automática que ajudam a testar a acessibilidade de uma página a pessoas com deficiência.

No entanto, estas ferramentas por si só, não permitem garantir a acessibilidade de uma página. Uma página pode perfeitamente passar num validador e não ser acessível a pessoas com deficiência. Por sua vez, uma página pode ser acessível e um validador automático indicar que contem erros.

Idealmente, para garantir a acessibilidade de um sítio web dever-se-ia fazer um teste de usabilidade com utilizadores com diferentes idades, sexos, experiência e deficiências. No entanto, raramente existem recursos disponíveis para fazer estes testes. Então o que fazer?

Criar páginas acessíveis a pessoas com deficiência não é mais difícil, nem mais caro do que criar páginas para as restantes pessoas. Tal como a maioria das situações na vida, requer principalmente que nos tentemos colocar na posição dos outros (que poderá muito bem um dia ser a nossa).

Quais são as deficiências que mais dificultam o acesso à web? Nós usamos principalmente o rato, o teclado e o monitor para aceder à web. Então são principalmente as deficiências motoras ao nível da visão e dos membros superiores em que nos vamos focar para testar um site.

Simular deficiência de visão

Identifique as principais funções do seu site e execute-as. Agora execute-as de novo com as seguintes restrições:

  1. Se usa óculos tente usar o site que desenvolveu sem eles;
  2. Aumente o tamanho das letras no browser e verifique se todos os conteúdos do seu site se mantêm legíveis;
  3. Instale um leitor de tela (ex. JAWS ou ORCA), coloque uns auscultadores e desligue o monitor. Agora execute as mesmas tarefas novamente. Não desista, é assim que os cegos "vêem" o seu site, se você não o conseguir usar, eles também não conseguirão.

Simular deficiência motora

  1. Desligue o rato e execute todas as funções do seu site usando só o teclado;
  2. Feche as mãos e prenda-as com um lenço e novamente tente usar o seu site. Muitas pessoas perdem as mãos em acidentes de trabalho;
  3. Segure uma caneta com a boca e use o seu site. É de um modo semelhante que muitos tetraplégicos trabalham.

Conseguiu executar as mesmas tarefas que inicialmente definiu? Parabéns o seu site é acessível mesmo que as ferramentas automáticas possam dizer o contrário.

O que NÃO É fazer acessibilidade

Se realmente quer fazer um site acessível, ponha-se no lugar nos outros, estude acerca de acessibilidade e contacte especialistas se necessário. E sim, inicialmente isto vai implicar trabalho adicional.

Não faça alterações nas suas páginas apenas para obter bons resultados nos validadores automáticos e colocar um selo no seu site a gabar-se de que está de acordo com um nível qualquer da WAI.

Acima de tudo, não tenha a hipocrisia de colocar um símbolo de acessibilidade com um link para um texto feito a dizer:

"A afixação do Símbolo de Acessibilidade não garante que um sítio seja 100% acessível, nem o cumprimento das Regras de Acessibilidade. A utilização deste Símbolo é um acto voluntário que demonstra, unicamente, um esforço em aumentar a acessibilidade de um sítio."

E depois o site não tem etiquetas ALT nas imagens, os textos são publicados usando flash ou javascript e existem barras de navegação de vários níveis quase impossíveis de controlar. Pergunto-me que esforço foi feito? Estes casos são reais e não são difíceis de encontrar.

Fazer acessibilidade não é colocar funcionalidades que você acha que fazem falta às pessoas com deficiência ou que um vendedor disse que fariam falta. Temos o exemplo da inclusão de sons nos sites que constitui um erro grave de web design e também não facilita as pessoas com deficiência.

Existe uma ferramenta que está a ser adoptada em muitos sites públicos chamada ReadSpeaker com o intuito de tornar os sites acessíveis a pessoas com deficiência.

O ReadSpeaker é um serviço que permite uma consulta mais fácil dos sites de internet, graças a uma síntese vocal quase natural, que lê o conteúdo das páginas ao visitante...A missão da ReadSpeaker™ é a de tornar a Internet acessível a todos os que preferem escutar a ler, dedicando especial atenção àqueles que têm dificuldade em ler um texto.

Parece ser mesmo útil para os cegos. Como tinha dúvidas acerca da utilidade desta ferramenta contactei o Marco António de Queiroz, cego e autor do site BengalaLegal.com que me respondeu:

"Toda pessoa cega se utiliza de um leitor de telas. O mais conhecido internacionalmente é o Jaws for Windows. Se as pessoas com deficiência já possuem o seu "falador", ou melhor, o seu leitor de telas, para que a necessidade de ter outro na página onde vai chegar com o seu? Pode até haver conflitos entre os leitores de tela. Ou seja, o leitor do cego e o leitor da página. Se o cego, por acaso, não tiver seu leitor, como vai chegar até a página que possui seu próprio leitor? Vai ficar na dependência de alguém que enxerga para chegar na página, entende? Um leitor desse tipo é feito justamente por quem nunca perguntou a um cego usuário da internet como seria isso para ele! Estão querendo reinventar a roda."

A resposta fez-me sentido. Pergunto novamente, o ReadSpeaker é útil para aumentar a acessibilidade dos sites as pessoas com deficiência?

Porquê dar-me ao trabalho?

Um site acessível não deverá ser criado apenas porque houve uma resolução do conselho de ministros a dizer que tem de ser.

Pense em si, os azares não acontecem só aos outros, a pessoa com deficiência amanhã poderá ser você. Quando falamos em pessoas com deficiência, pensamos normalmente em deficiências permanentes. Mas se você partir um braço você torna-se uma pessoa com deficiência. Além disso, com o avançar da idade a pessoa com deficiência amanhã será você.

Pense nos seus, você poderá ter um filho, um conjuge, um irmão com deficiência e depois vai-se queixar que não há acessibilidade, não há condições, ninguém se preocupa. Você preocupou-se até essa altura?

Pense no seu negócio, pessoas com deficiência são clientes como os outros, porquê excluir clientes?

Pense outra vez no seu negócio, a maior parte das regras de acessibilidade para pessoas com deficiência são baseadas em normas de publicação na web e o seu cumprimento aumenta a visibilidade no seu site e consequentemente o seu negócio na web.

As tecnologias de informação permitem melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Cabe a cada um de nós fazer uma boa utilização delas para explorarmos este potencial.

Dezembro, 2010
/Daniel Gomes

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