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Início > Artigos > Participação na Usability Week 2009 Conference.

Participação na Usability Week 2009 Conference

Resumo: este artigo resume os conteúdos das sessões assitidas durante a Usability Week 2009 Conference, promovida pelo Norman Nielsen Group, a empresa dos gurus da usabilidade Jakob Nielsen e Don Norman.

The Usability Week 2009 Conference é uma formação focada na interacção das pessoas com sistemas informáticos, promovida pelo Norman Nielsen Group, empresa fundada por cientistas que despoletaram o estudo das interfaces de utilização como uma área de investigação.

A conferência é composta por vários cursos, de um ou mais dias, que decorrem em paralelo. Os cursos apresentam diferentes requisitos para participação, mas a maioria deles transmite conhecimentos úteis para qualquer profissional de tecnologias de informação.

Todos os cursos assistidos foram iniciados com a sensibilização para a importância de criar interfaces de utilização eficientes. Foram apresentados resultados de empresas famosas que aumentaram significativamente os seus lucros e produtividade, por terem realizado melhorias na usabilidade dos seus sistemas.

Por outro lado, foram também apresentados inúmeros exemplos de projectos que falharam catastroficamente após avultados investimentos, devido à usabilidade ter sido ignorada durante o processo de desenvolvimento. Grande parte dos participantes, comunicou sentir grandes dificuldades em estabelecer a usabilidade como um critério de qualidade, essencial a atingir nas suas empresas e foi sugerido que no futuro fosse promovido um curso focado nesta temática.

Um facto repetido exaustivamente foi que é impossível que os técnicos concebam interfaces usáveis sem as testarem com utilizadores reais, porque existe um enorme fosso entre os conhecimentos detidos pelas partes.

As formações foram ministradas de uma forma muito profissional, sendo respeitados os horários, realizados exercícios que estimularam o interesse e participação dos formandos e apresentados exemplos, que ilustravam aplicações práticas dos conteúdos pedagógicos ministrados.

O principal ponto fraco foi o material didáctico para consulta posterior, que se restringiu às projecções impressas em papel. A justificação dada para não fornecerem as projecções em formato digital foi evitar plágio.

Desenho de Interacção

O curso Interaction Design 101, com duração 3 dias, foi ministrado Bruce Tognazzini, um reputado desenhador de interfaces pessoa-máquina que tem uma carreira de 14 anos na Apple, criou o principal sítio web acerca de saúde (WebMD) e liderou o projecto Starfire, que em 1992 originou um filme com uma visão futurista da WWW. É curioso testemunhar a ficção acerca de salas imersivas e video-conferência, que são actualmente uma realidade.

O curso incidiu sobre a metodologia a seguir para desenvolver projectos focados nas necessidades dos seus futuros utilizadores (user-centric design). Parecendo uma aproximação óbvia, esta metodologia é ainda pouco aplicada, porque os sistemas são normalmente desenhados para satisfazer as exigências dos financiadores ou ao gosto da equipa de desenvolvimento, ignorando os requisitos dos utilizadores finais do sistema.

Em traços gerais, a metodologia assenta na criação de equipas multi-disciplinares, que executam um processo iterativo junto dos utilizadores finais, para captação das suas necessidades e expectativas, antes de se iniciar o processo de programação do sistema. Nesta fase, o recurso a tecnologia é reduzido, recorrendo-se principalmente a deslocações ao campo, entrevistas, reuniões de brainstorming, elaboração e teste de protótipos em papel ou páginas HTML básicas.

Durante o curso foi realizado um exercício que consistia na definição dos requisitos e interface para um novo sistema que o cliente tinha descrito num texto muito curto. Dada a sua larga experiência, o orador apresentava frequentemente histórias reais. Numa delas, descreveu que durante 1 mês, a sua equipa trabalhou para melhorar uma única frase que estava a bloquear o lançamento do Apple II, porque os utilizadores que não a compreendiam e não conseguiam dar início ao uso do computador. Em todas as tentativas fracassadas de escrever uma frase inteligível para os utilizadores, o seu significado foi considerado óbvio pela equipa de desenvolvimento.

Actualização de resultados científicos acerca de usabilidade

O curso Research Update 2009, com duração de 1 dia, foi ministrado por Raluca Budiu, uma cientista especializada em interação pessoa-máquina, psicologia e ciência cognitiva, que trabalhou principalmente no Microsoft Excel e Xerox PARC. Este curso apresentou um resumo dos principais resultados científicos publicados nos últimos 2 anos, abordando os seguintes temas: Web 2.0; usabilidade da segurança; métodos de análise de usabilidade; pesquisa e acessos à Web.

Os resultados científicos acerca da utilização de redes sociais foram interessantes e contradizem o senso comum. Os resultados obtidos mostram que ícones da Web 2.0, como as populares tag clouds e RSS feeds raramente são usadas e não trazem valor acrescentado aos sítios web. Os utilizadores acedem às redes sociais principalmente para se manterem em contacto com pessoas que conhecem e raramente para conhecer novas pessoas, os utilizadores são cuidadosos com questões de privacidade e ao contrário do que é comum nos sistemas informáticos, têm o cuidado de alterar os valores por omissão dos seus perfis para os tornarem ainda mais privados.

Curiosamente, são os jovens que têm maiores preocupações ao nível da sua privacidade. Os resultados apresentados, mostram que os utilizadores acabam por usar os sítios web das redes sociais para outros fins, que não os inicialmente previstos. Assim sendo, deve-se ceder este espaço para não perder utilizadores. Por exemplo, o Facebook foi criado inicialmente para fazer álbuns de turmas de alunos e actualmente é usado como um serviço de partilha de fotografias e contactos genérico.

O curso abordou com detalhe alguns estudos de como motivar os trabalhadores de uma empresa a participarem em sistemas colaborativos e foram apresentados valores consideráveis das poupanças obtidas pelas empresas com estas iniciativas. Em relação aos métodos de usabilidade, os resultados obtidos confirmam outros anteriores, o que reforça que os conhecimentos obtidos na área da usabilidade, são mais persistentes do que noutras áreas da Informática. Em particular, mais uma vez verificou-se que basta testar um sistema com 5 utilizadores para detectar a maioria dos seus erros graves.

As recomendações dos outros cursos foram baseadas em resultados repetidamente comprovados. No entanto, no Research Update 2009 considero que algumas da conclusões tecidas terão sido um pouco abusivas em relação à evidência dos resultados apresentados.

Usabilidade de aplicações

O curso Application Usability 1 e 2, com duração 2 dias, foi ministrado por Chris Nodder, especializado em usabilidade de sistemas negócio-negócio e intranets. Trabalhou na Microsoft, tendo sido responsável pelo desenho da interacção de vários produtos.

O primeiro dia do curso focou-se na escolha de componentes de interacção adequados para utilização de funções em páginas. Por exemplo, em que situações é adequado o uso de check-boxes em vez de radio-boxes ou listas de seleção. Foram também exemplificados erros comuns mas graves de interacção, tais como, o uso de links em vez de botões para despoletar acções ou a validação de formulários longos apenas no fim do seu preenchimento.

O segundo dia do curso focou-se no desenho de fluxos de trabalho e diálogos com o utilizador. Grande parte dos exemplos analisados focaram-se em aplicações empresariais ou disponíveis em intranets. Durante a sua carreira, o orador testemunhou repetidamente que o uso que as pessoas fazem das aplicações é completamente diferente do que foi pensado durante o seu desenvolvimento. Além disso, as entrevistas aos utilizadores no seu local de trabalho não são eficientes. Os utilizadores tendem a descrever a utilização “do manual” e não a que realmente fazem da aplicação, por temor de represálias. Assim sendo, o melhor método de análise para a melhoria fluxos de trabalho é a observação directa no campo.

Um aspecto muito importante do desenho de aplicações é a escolha de valores por omissão adequados, porque os utilizadores normalmente não os mudam. A definição de valores por omissão adequados numa aplicação empresarial aumenta muito a produtividade.

Conclusões e formações futuras

No geral, os cursos assistidos foram muito interessantes, permitindo a aquisição de novos conhecimentos e por outro lado, a melhoria da capacidade de comunicação de conceitos de usabilidade já conhecidos. Infelizmente, nenhuma das dezenas de empresas representadas era portuguesa ou actuava em Portugal.

Dos cursos que não foram frequentados, existem dois que suscitaram particular interesse. O primeiro, destina-se à melhoria da usabilidade de intranets (Intranet usability 1 e 2). As interfaces de utilização das aplicações disponíveis em intranets necessitam de ser particularmente eficientes, pois destinam-se executar tarefas específicas e repetitivas. Assim sendo, mesmo pequenos ganhos de tempo produzem elevados ganhos de produtividade.

O segundo, denominado Writing for the web 1 e 2, é interessante para qualquer pessoa que escreva textos a serem publicados na Web. A publicação de textos na web obedece a regras de comunicação muito diferentes da escrita em papel.

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Julho de 2009

Daniel Gomes

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